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04 março 2010

Próximas atividades: oficina gratuita de documentário


O Projeto Periferia de Ponta a Ponta retoma as atividades.

As primeiras oficinas de 2010 serão sobre vídeo-documentário.

Elas ocorrerão nos sábados, dias 27 de março e 17 de abril - sempre às 14 horas.

Local: UEPG (centro), sala B206.

Após as oficinas os jovens participantes produzirão um documentário.
Contamos com a participação de todos!

26 outubro 2009

É preciso ensinar respeito às diferenças!

Ao trabalhar com jovens de todas as classes sociais e condições, o que me chamou muito a atenção é o fato de que a sociedade exclui jovens (e pessoas de diversas idades) com deficiência física e isso é inadmissível! Foi esse motivo que me levou a pensar  sobre o assunto, a partir do mini-documentário “Vamos pela rua” de autoria de Ariana Chediak Roquim (São Paulo, 2006), obra premiada com “Menção Honrosa” no concurso referente a exclusão social promovido pelo BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento).




No documentário são mostradas, inicialmente, condições a que tem de se submeter pessoas excluídas socialmente por serem portadores de necessidades especiais. Por morarem em cidades totalmente sem estrutura para comportar essas necessidades, cadeirantes tem de se submeter a uma verdadeira “guerra” pelo espaço destinado a eles, que não existe. Uma frase mostrada define toda essa injustiça de exclusão social dessas pessoas, “É preciso ensinar respeito às diferenças”.

É constatada no documentário a existência de um grupo, predominantemente formado por jovens, que procura sensibilizar a sociedade tentando por meio de um projeto chamado “Superação”, organizado por eles próprios, fazer com que a sociedade não os exclua tanto por causa de suas limitações físicas. Um dos responsáveis pelo projeto enuncia uma frase muito interessante à mídia local dizendo o seguinte: “nós não queremos piedade, nós queremos apenas a consciência da sociedade”, o que mostra que buscam apenas ter o direito de serem felizes, respeitados em suas difereças.









Por Thiago Coloda

13 setembro 2009

Quando o cinema fala da periferia

De uns anos pra cá cresceu o número de filmes, documentários e reportagens que colocam em pauta o tema ‘periferia’. Essa mudança é muito importante, pois dá protagonismo a personagens e histórias que antes ficavam esquecidas. Porém, há que se ter muito cuidado com algumas produções, que reforçam visões distorcidas e preconceituosas sobre a ‘periferia’.

Boa parte das produções audiovisuais sobre a periferia reproduzem dois tipos de visões, opostas, mas igualmente estereotipadas. O primeiro tipo de visão a que me refiro é aquela que traz uma representação dualista da periferia (o bem x o mal). Geralmente traz às telas o problema da criminalidade e do tráfico de drogas como marcas indiscutíveis da periferia. Normalmente retratam o sofrimento de “famílias de bem” sujeitas às mãos dos traficantes.


Outras produções que ainda atuam neste sentido mostram também a dificuldade da polícia em enfrentar os “bandidos” da favela. Sem tirar os méritos de cada produção, cito como exemplos: “Tropa de Elite”, “Cidade de Deus”, “Manda Bala”  entre outras.

Outra visão, igualmente estigmatizada, que também se faz presente nas produções audiovisuais é aquela que trabalha com a construção de heróis. São crianças, jovens, adultos ou grupos que conseguem superar “os problemas da periferia” e se tornam verdadeiros heróis, exemplos para toda a comunidade. Essas produções reproduzem o tradicional clichê norte-americano, superar as adversidades e vencer, trazendo a  idéia do vencer sozinho e que se um pode, todos podem, o que nem sempre é verdade. 


Um exemplo brasileiro é o documentário “Favela Rising”. Este documentário retrata a vida do cantor Anderson Sá, do grupo AfroReggae, mostrando como ele conseguiu mudar seu destino (entenda-se: não se tornar um criminoso) e ajudar outros jovens.

Também boa parte das reportagens televisivas e impressas traz embutida alguma dessas visões: ou o caos ou a libertação. É claro que não quero aqui tirar o mérito de grandes produções, como o filme “Cidade de Deus”, mas muitas vezes o audiovisual insiste em reforçar apenas alguns aspectos, desconsiderando toda a diversidade dos grupos periféricos. 


O que quero dizer, em outras palavras, é que não dá pra “jogar tudo no mesmo balde”. A periferia não é só “guerra e tráfico” e não é tão simples entrar em um grupo cultural e “vencer na vida”.

Um pouco do que vemos no cinema, na TV e na mídia é o que Joan Ferrés chama de processo sedutório. Isto é, levar o espectador a generalizar/globalizar/projetar um conjunto de valores sobre um universo do qual se conhece apenas uma parte. Ou seja, “mostrar a parte pelo todo”.

Diferentes perspectivas audiovisuais

É claro que nem todas as produções são assim. Especialmente alguns diretores e produtores têm insistido em revelar outros aspectos da periferia, valorizando a diversidade e as peculiaridades deste complexo universo. Um exemplo é o documentarista Eduardo Coutinho, que rompe com as visões simplificadas e traz às telas personagens complexos e ambíguos.

Coutinho se recusa a utilizar o método particular/geral. Ao invés disso, procura apresentar as ambigüidades e as incoerências dos depoimentos. Seus personagens não são tipos sociais/caricaturas, mas seres humanos “com voz” e protagonistas de uma história única. Outra característica de suas produções é evitar o uso de clichês e romper com o olhar de piedade/ assistencialismo sobre as classes desfavorecidas. Deixo como dica dois documentários de Coutinho: “Boca de Lixo” e “Santa Marta, duas semanas no morro”.

Neste mesmo sentido, outro documentário interessante é “O Prisioneiro da Grade de Ferro”, lançado em 2003 e dirigido por Paulo Sacramento. A novidade aqui é que, ao invés de um olhar “de fora para dentro”, são os próprios personagens que constroem olhares sobre si mesmos. O vídeo foi produzido a partir de uma oficina de cinema feita com aproximadamente 20 detentos do Carandiru. A oficina durou sete meses e os temas escolhidos para o documentário foram sugeridos e filmados, na maior parte das vezes, pelos próprios detentos. 


Está  claro que o meio audiovisual é restrito (financeiramente e temporalmente) e sujeito a edição, mas nem por isso terá necessariamente de reproduzir uma visão simplista e caricatural dos universos representados. O segredo é valorizar a diversidade e dar o protagonismo aos reais protagonistas, sempre! 




Por Ana Paula M. S. Mendes

09 setembro 2009

Uma onda no ar

O projeto Periferia de Ponta a Ponta: Juventude, Cidadania e Práticas Culturais tem como um dos objetivos abordar questões como diversidade cultural, racismo, exclusão social e direito de expressão. É de grande valia indicarmos o filme de Jorge Duran e Helvécio Ratton, Uma Onda no Ar, de autoria nacional e lançado em 2002, se encaixa na categoria Drama.


Esta obra cinematográfica aborda a história da Rádio Favela, criada por quatro jovens moradores de uma favela de Belo Horizonte, Jorge (Alexandre Moreno), Brau (Benjamin Abras), Roque (Babu Santana) e Zequiel (Adolfo Moura).


Além de enfrentarem todo um cenário violento, os quatro amigos fundadores desta rádio pirata, queriam dar voz aos moradores do morro, no entanto se depararam com a repressão policial em uma história regada com diversos estilos musicais e muita reivindicação social.


A história é baseada na trajetória do verdadeiro criador da Rádio Favela, Misael Avelino dos Santos, e tem como núcleos a polícia, a favela, a escola, a política, a rádio e o crime. Além de levar a comunicação entre o “asfalto” e a favela, é por meio deste importante meio de comunicação que os moradores reivindicam melhorias para o bairro e seus moradores.


Na vida real, a idéia de Misael, rendeu um prêmio da Nações Unidas a Rádio Favela pelo seu papel educativo e preventivo quanto ao tráfico e a criminalidade. Sem mencionar, no exemplo que deixa para todos os jovens que gostariam de dar voz as suas necessidades perante a sociedade como um todo.



Por Eliana Oliveira Pedreira

03 setembro 2009

Observatório Jovem: diferentes olhares para diferentes juventudes


Com o ingresso no Periferia de Ponta a Ponta, notei a importância de trabalhos multidisciplinares. Na universidade, é comum pesquisas em campos isolados – são educadores que não dialogam com psicólogos, comunicadores que “torcem o nariz” para o direito. Essas são apenas algumas generalizações de todo o meio acadêmico, mas que se revelam nas apresentações em congressos e seminários científicos.


Diferente desse isolamento entre áreas do conhecimento, é o portal Observatório Jovem da Universidade Federal Fluminense (UFF). Ele é formado por uma equipe de pesquisadores e estudantes nas áreas de Educação, Comunicação Social, Pedagogia, Cinema, Serviço Social, Antropologia e Sociologia.

As vantagens dessa união é observada pela rica diversidade de conteúdo presente no portal. Lá, é possível encontrar notícias sobre encontro de jovens, artigos de opinião ou resultados de pesquisas do mundo juvenil, entrevistas com pesquisadores e com os próprios jovens.

Um dos destaques do Observatório Jovem são os documentários sobre diferentes culturas jovens. Assim como o Periferia de Ponta a Ponta, eles partem dos olhares juvenis.


O doc “Sementes da Memória” revela a exclusão ao centro urbano da comunidade jovem quilombola de São José da Serra no interior do Rio de Janeiro. O filme revela diversas disputas culturais: defesa de propriedade, luta por trabalho, pela manifestação através da dança. A disputa pela fortalecimento de identidades.
 


Por Weslley Dalcol

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