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22 junho 2009

APRESENTAÇÃO

O projeto “Periferia de Ponta a Ponta: juventude, cidadania e práticas culturais” é uma iniciativa desenvolvida por uma equipe multidisciplinar de professoras, egressas e graduandas (os) da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG). O projeto recebe financiamento da Secretaria de Educação e Tecnologia do Estado do Paraná (SETI), por meio do programa “Universidade Sem Fronteiras”, subprograma “Diálogos Culturais”.

Ainda em fase inicial, o “Periferia de Ponta a Ponta” objetiva trabalhar com jovens de regiões periféricas da cidade de Ponta Grossa. O intuito é aproximá-los à realidade do centro urbano e colaborar na promoção da educação e cultura, propiciando atividades e espaços de reflexão, diálogos, formação e interação cultural, com atenção especial aos jovens em situação de maior vulnerabilidade social.

21 junho 2009

ATUAÇÃO

Inicialmente será realizado contato com distintos grupos culturais juvenis de regiões periféricas de Ponta Grossa. O objetivo é ouvi-los para que se discutam as formas de abordagem e sugestões temáticas. Os contatos com diferentes grupos também possibilitarão resultar em parcerias que contribuam para a seleção dos jovens integrantes e para a realização das oficinas e sessões de diálogos.

Serão selecionados, no máximo, sessenta jovens – a partir de quinze anos - para participarem do projeto. Os critérios de seleção e inscrição serão definidos após os diálogos com os diferentes grupos. Na fase inicial do projeto também se buscam parcerias institucionais.

Após essa primeira fase será aplicado questionário investigativo a todos os participantes. O questionário será analisado e discutido para que sejam assimiladas as sugestões e possíveis adequações para serem aplicadas durante as atividades.

No primeiro eixo metodológico, haverá realização de apresentações culturais distintas. Serão apresentações dos jovens integrantes do projeto ou convidados por eles.

No segundo eixo, serão realizadas oito oficinas temáticas com duração de quatro horas. Poderá ser realizado um número maior de oficinas, de acordo com o interesse dos jovens. Após cada oficina, há sessão de diálogo. O objetivo dessa atividade é promover o debate do tema tratado, além de promover a interação de diferentes percepções dos jovens. Cada discussão terá cerca de duas horas. Os temas serão variados, perpassando as questões de sexualidade e relações étnico-raciais à escolha profissional. As temáticas serão estabelecidas a partir dos interesses e demandas apresentadas pelos jovens. Após essas atividades será reaplicado o questionário investigativo.

Já o terceiro eixo metodológico propõe a produção de material audiovisual pelos jovens, mais especificamente um vídeo-documentário. A realização será feita por registros dos próprios jovens selecionados. Os bolsistas integrantes do projeto irão orientar na utilização das ferramentas necessárias para a produção, como no manuseio da câmera de vídeo e auxílio nos programas de edição, por exemplo. Na fase final será avaliado projeto, através dos relatórios e feedback dos participantes.

20 junho 2009

VISÕES SOBRE O UNIVERSO JUVENIL

Pesquisar o mundo juvenil é adentrar em um universo complexo e multifacetado, a começar pela indefinição sobre o que é ser jovem. No artigo “Juventude e adolescência no Brasil: referências conceituais”, os autores Helena Virgínia de Freitas e Oscar Dávila León refletem sobre as relações e indefinições existentes entre os termos adolescência e juventude. Para eles, o uso destes termos ora se superpõem, ora constituem campos distintos. A definição de juventude pode ser feita a partir de diferentes pontos de partida, seja como faixa etária, período da vida, contingente populacional, categoria social ou geração. Todas, porém, se referem a uma fase entre a infância e a maturidade.

De acordo com os autores, a concepção sociológica clássica marca o fim da juventude a partir de cinco dimensões: terminar os estudos, sair da casa dos pais e tornar-se responsável por uma moradia, casar e ter filhos. Porém essas condições devem ser relativizadas e não bastam para caracterizar este estágio da vida. Há de se levar em conta a coexistência de características tanto da fase adulta como da infância no período da juventude. Há uma tendência, a partir de critérios estabelecidos pelas Nações Unidas, de considerar a juventude como a faixa etária que vai dos 15 aos 24 anos. Mas, como defende o artigo, isto pode variar muito, de acordo com cada jovem e em cada país. O preparo psicológico, as peculiaridades do mundo juvenil, as relações sociais e outras especificidades devem ser levadas em conta nesta definição. A questão etária é muito restrita quando se vai a fundo no significado do que é ser jovem.

Para além da indefinição etária, o mundo juvenil também se mostra complexo e multifacetado quando se busca compreender as características deste universo. Em seu artigo “O jovem como sujeito social”, Juarez Tarcisio Dayrell mostra que existe uma série de formas de interpretar este período da vida. Segundo o autor, uma das concepções mais arraigadas no imaginário social é a de que a juventude pode ser vista em sua condição de transitoriedade, na qual o jovem é entendido como alguém que ainda não chegou a ser, e suas ações no presente são apenas uma preparação para a maturidade. Para Dayrell, esta é uma visão extremamente simplista e marcada por negatividade. Outra óptica tradicional para se entender a juventude é a idéia de uma fase de liberdade, prazer e comportamentos exóticos, caracterizando-se como uma visão romântica desta etapa da vida. Esta concepção traz a idéia de hedonismo e irresponsabilidade. Neste contexto, também há outras tendências, como a que percebe o jovem reduzido ao campo da cultura ou como um momento de crise, dominada por conflitos internos e problemas familiares.

Fugindo das concepções clássicas e rígidas, Dayrell defende que a juventude deve ser vista a partir da diversidade. De modo algum a juventude se reduz a uma simples passagem para a vida adulta. Esta fase assume uma importância enquanto fase real. Tendo isto em vista, o autor defende que ao invés de ‘juventude’, devemos falar em ‘juventudes’. Uma época marcada por transformações concretas e peculiaridades.

É neste sentido que o autor defende o jovem como um sujeito social, marcado por uma historicidade, portador de desejos e movido por desejos, com determinada origem familiar, com relações sociais e que ocupa um lugar social específico. Visto assim, o jovem em contato com o pesquisador torna-se não apenas um objeto de observação, mas um agente de interação, capaz de refletir sobre sua própria existência e assumir-se como protagonista de uma história.

É respeitando a diversidade do universo juvenil e valorizando o jovem como um sujeito social concreto que o projeto “Periferia de Ponta a Ponta: juventude, cidadania e práticas culturais’ procura trabalhar.


Por Ana Paula Mendes

Comentários

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